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Fé, esperança e caridade

Eram três anjos - e uma só mulher QUANDO A INFÂNCIA corria alegre, à toa, Como a primeira flor que, na lagoa, Sobre o cristal das águas se revê, Em minha infância refletiu-se a tua... Beijei-te as mãos suaves, pequeninas, Tinhas um palpitar de asas divinas... Eras - o Anjo da Fé! ... Depois eu te revi... na fronte branca, Radiava entre pérolas mais franca, A altiva c'roa que a beleza trança!... Sob os passos da diva triunfante, Ardente, humilde, arremessei minh'alma, Por ti sonhei — triunfador — a palma, Ó — Anjo da Esperança!... — Hoje é o terceiro marco dessa história. Calcinado aos relâmpagos da glória, Descri do amor, zombei da eternidade!... Ai, não! - celeste e peregrina Déia, Por ti em rosas mudam-se os martírios! Há no teu seio a maciez dos lírios... Anjo da Caridade!... Castro Alves

Amar e ser amado

Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor este adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desvelo! Ser amado por ti, o teu alento A bafejar-me a abrasadora frente! Em teus olhos mirar meu pensamento, Sentir em mim tu’alma, ter só vida P’ra tão puro e celeste sentimento: Ver nossas vidas quais dois mansos rios, Juntos, juntos perderem-se no oceano —, Beijar teus dedos em delírio insano Nossas almas unidas, nosso alento, Confundido também, amante — amado — Como um anjo feliz... que pensamento!?

A um coração

Ai! Pobre coração! Assim vazio E frio Sem guardar a lembrança de um amor! Nada em teus seio os dias hão deixado!... É fado? Nem relíquias de um sonho encantador? Não frio coração! É que na terra Ninguém te abriu... Nada teu seio encerra! O vácuo apenas queres tu conter! Não te faltam suspiros delirantes, nem lágrimas de afeto verdadeiro... É que nem mesmo — o oceano inteiro — Poderia te encher!... Castro Alves