Sampa

Sampa ( Caetano Veloso )Alguma coisa acontece no meu coraçãoQue só quando cruza a Ipiranga com a avenida São JoãoÉ que quando eu cheguei por aqui eu nada entendiDa dura poesia concreta de tuas esquinasDa deselegância discreta de tuas meninasAinda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa traduçãoAlguma coisa acontece no meu coraçãoQue só quando cruza a Ipiranga e a avenida São JoãoQuando eu te encarei frente a frente não vi o meu rostoChamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gostoÉ que Narciso acha feio o que não é espelhoE a mente apavora o que ainda não é mesmo velhoNada do que não era antes quando não somos mutantesE foste um difícil começo, afasta o que não conheçoE quem vem de outro sonho feliz de cidadeAprende depressa a chamar-te de realidadePorque és o avesso do avesso do avesso do avessoDo povo oprimido nas filas, nas vilas, favelasDa força da grana que ergue e destrói coisas belasDa feia fumaça que sobe apagando as estrelasEu vejo surgir teus poetas e campos e espaçosTuas oficinas de florestas, teus deuses da chuvaPanaméricas de áfricas utópicas, túmulo do sambaMais possível novo quilombo de ZumbiE os novos baianos passeiam na tua garoaE os novos baianos te podem curtir numa boa

mulher

Parabéns, Mulher! Mulher que sonha.Mulher que trabalha.Mulher que briga.Mulher mãe.Mulher filha.Mulher que manda e que ama.Mulher de erros e acertos,de palavra doce.São tantas qualidades para definir essacriatura abençoada por Deus que porvezes nos perdemos em palavras.Representa com sua doçura e determinaçãoum universo totalmente desconhecido e acada dia se revela ainda mais misterioso e apaixonante.Neste dia, dedicado exclusivamentea mulher, quero demonstrar o quantome orgulho de você!Não conheço uma pessoa sequer quenão tenha se rendido aos encantosde uma mulher.E muito menos que tenha conseguidopassá-la para trás.Hoje é o Dia Internacional da Mulher!E quero lhe dar os parabéns!Afinal, você é uma das mulheres mais inteligentes e determinadas que conheço!Parabéns pelo seu diahttp://parabéns,%20mulher!/

ACEITE-ME COMO SOU!

ACEITE-ME COMO SOU! Uma história real Esta é a história de um soldado que, finalmente voltava para casa, depois de ter lutado no Vietnã. Ele ligou para os pais em São Francisco: - Mamãe, Papai, estou voltando para casa, mas antes quero pedir um favor à vocês. Tenho um amigo que eu gostaria de levar junto comigo. -Claro, eles responderam. Nós adoraríamos conhecê-lo também! Há algo que vocês precisam saber antes, continuou o filho. Ele foi terrivelmente ferido em combate. Pisou numa mina e perdeu um braço e uma perna. Pior ainda é que ele não tem nenhum outro lugar para morar. Sinto muito em ouvir isso, filho! Talvez possamos ajudá-lo a encontrar algum lugar para morar! -Não mamãe, eu quero que ele possa morar na nossa casa! - Filho, disse o pai, você não sabe o que está pedindo? Você não tem noção da gravidade do problema? A mãe concordando com o marido reforçou: alguém com tanta dificuldade seria um fardo para nós. Temos nossas próprias vidas e não queremos uma coisa como essa interfira em nosso modo de viver. Acho que você poderia voltar para casa e esquecer esse rapaz. Ele encontrará uma maneira de viver por si mesmo! Nesse momento o filho bateu o telefone e nunca mais os pais ouviram uma palavra dele. Alguns dias depois, os pais receberam um telefonema da polícia, informando que o filho deles havia morrido ao cair de um prédio. A polícia porém acreditava em suicídio. Os pais, angustiados voaram para a cidade onde o filho se encontrava e foram levados para o necrotério para identificar o corpo. Eles o reconheceram e, para o seu terror e espanto, descobriram algo que desconheciam: “O FILHO DELES TINHA APENAS UM BRAÇO E UMA PERNA!” Os pais nessa história são como nós, achamos fácil amar aqueles que são perfeitos, bonitos, saudáveis, divertidos, mas não gostamos das pessoas que nos incomodam ou não nos fazem sentir confortáveis. Esta noite, antes de dormir, façamos uma prece a Deus, para que nos dê as forças que precisamos para aceitar, sem restrições, as pessoas como elas são, mesmo que diferentes de nós. Peçamos Deus para nos dar paciência. eus responderá: Paciência é um subproduto das tribulações; Ela não é dada, é aprendida. DEus nos dá bênçãos; Felicidade depende de nós. peçamos a Deus para nos livrar da dor. Sofrer nos leva para longe do mundo e nos aproxima de Deus AMAmos a Deus para nos ajudar a AMAR os outros, com Deus nos dirá: .... Ahhhh, finalmente vocês entenderam a idéia.. Se você ama a Deus, envie isto para seus amigos e conhecidos, Mesmo que não acredite, tenha certeza que isso irá lhe fazer muito bem. Que Dus te abençoe, "Para o mundo você pode ser uma pessoa, mas para uma pessoa você pode ser o mundo”

A bomba atômica(Vinicius de Moraes)

Dos céus descendo Meu Deus eu vejo De pára-quedas? Uma coisa branca Como uma forma De estatuária Talvez a forma Do homem primitivo A costela branca! Talvez um seio Despregado à lua Talvez o anjo Tutelar cadente Talvez a Vênus Nua, de clâmide Talvez a inversa Branca pirâmide Do pensamento Talvez o troço De uma coluna Da eternidade Apaixonado Não sei indago Dizem-me todos É A BOMBA ATÔMICA Vem-me uma angústia Quisera tanto Por um momento Tê-la em meus braços E coma ao vento Descendo nua Pelos espaços Descendo branca Branca e serena Como um espasmo Fria e corrupta De longo sêmen Da Via-Láctea Deusa impoluta O sexo abrupto Cubo de prata Mulher ao cubo Caindo aos súcubos Intemerata Carne tão rija De hormônios vivos Exacerbada Que o simples toque Pode rompê-la Em cada átomo Numa explosão Milhões de vezes Maior que a força Contida no ato Ou que a energia Que expulsa o feto Na hora do parto. II A bomba atômica é triste Coisa mais triste não há Quando cai, cai sem vontade Vem caindo devagar Tão devagar vem caindo Que dá tempo a um passarinho De pousar nela e voar . . . Coitada da bomba atômica Que não gosta de matar! Coitada da bomba atômica Que não gosta de matar Mas que ao matar mata tudo Animal e vegetal Que mata a vida da terra E mata a vida do ar Mas que também mata a guerra . . . Bomba atômica que aterra! Bomba atônita da paz! Pomba tonta, bomba atômica Tristeza, consolação Flor puríssima do urânio Desabrochada no chão Da cor pálida do hélium E odor de rádium fatal Lœlia mineral carnívora Radiosa rosa radical. Nunca mais oh bomba atômica Nunca em tempo algum, jamais Seja preciso que mates Onde houve morte demais: Fique apenas tua imagem Aterradora miragem Sobre as grandes catedrais: Guarda de uma nova era Arcanjo insigne da paz! III Bomba atômica, eu te amo! és pequenina E branca como a estrela vespertina E por branca eu te amo, e por donzela De dois milhões mais bélica e mais bela Que a donzela de Orleães; eu te amo, deusa Atroz, visão dos céus que me domina Da cabeleira loura de platina E das formas aerodivinais — Que és mulher, que és mulher e nada mais! Eu te amo, bomba atômica, que trazes Numa dança de fogo, envolta em gazes A desagregação tremenda que espedaça A matéria em energias materiais! Oh energia, eu te amo, igual à massa Pelo quadrado da velocidade Da luz! alta e violenta potestade Serena! Meu amor . . . desce do espaço Vem dormir, vem dormir, no meu regaço Para te proteger eu me encouraço De canções e de estrofes magistrais! Para te defender, levanto o braço Paro as radiações espaciais Uno-me aos líderes e aos bardos, uno-me Ao povo ao mar e ao céu brado o teu nome Para te defender, matéria dura Que és mais linda, mais límpida e mais pura Que a estrela matutina! Oh bomba atômica Que emoção não me dá ver-te suspensa Sobre a massa que vive e se condensa Sob a luz! Anjo meu, fora preciso Matar, com tua graça e teu sorriso Para vencer? Tua enégica poesia Fora preciso, oh deslembrada e fria Para a paz? Tua fragílima epiderme Em cromáticas brancas de cristais Rompendo? Oh átomo, oh neurônio, oh germe Da união que liberta da miséria! Oh vida palpitando na matéria Oh energia que és o que não eras Quando o primeiro átomo incriado Fecundou o silêncio das Esferas: Um olhar de perdão para o passado Uma anunciação de primaveras! Vinicius de Moraes